Na família de Thielen Martins Brandão e Edgar Brandão, em Córrego Palmeirinha, Pinheiros-ES, a produção de café já fazia parte da rotina. O trabalho, durante muitos anos, esteve concentrado no café commodity. Mas, depois de se formarem em Agronomia pela FAESA, no primeiro semestre de 2023, os dois levaram para a propriedade novos conhecimentos sobre produção, qualidade e gestão, e começaram a enxergar outras possibilidades para o café que já fazia parte da história da família.
A experiência no campo continuou sendo a base do trabalho, mas passou a se somar ao conhecimento adquirido na graduação. Aos poucos, os dois começaram a buscar novas formas de melhorar a produção, agregar valor ao café e aproveitar melhor cada etapa do processo.
Foi a partir desse encontro entre tradição e conhecimento técnico que surgiu o Grão de Ana. Em 2025, Thielen e Edgar produziram os primeiros lotes de cafés especiais e deram um novo passo na trajetória da família: transformar parte da produção em uma marca própria, acompanhando de perto cada etapa do processo, da lavoura à chegada do produto ao consumidor.
Para Renan, coordenador do curso de Agronomia da FAESA, a trajetória dos dois também mostra como a formação pode abrir diferentes possibilidades de atuação para quem escolhe a área.
“O empreendedorismo é um dos pilares da FAESA, trabalhado de forma clara e evidente em todos os cursos. Na Agronomia, a possibilidade de empreender é grande, pois vários processos e produtos podem e devem ser melhorados visando uma agricultora cada vez mais sustentável. Desde o início do curso até o final, nossos estudantes são estimulados a criar seu negócio, continuar com as atividades agrícolas na forma de sucessão familiar. No nosso curso, temos vários exemplos de egressos que estão construindo seu próprio negócio, com inovação e tecnologia, aliadas à produção sustentável.”
Para Thielen, a graduação contribuiu diretamente para a forma como os dois tomam decisões na propriedade. Mais do que aplicar conhecimentos técnicos na lavoura, a formação ajudou a desenvolver um olhar mais analítico sobre toda a produção.
“A graduação em Agronomia contribui diariamente para a forma como enxergamos e conduzimos a nossa produção. Ela nos deu uma base técnica para compreender melhor a lavoura, avaliar as diferentes etapas do processo produtivo e tomar decisões com mais segurança, buscando conciliar produtividade, qualidade e viabilidade”, conta Thielen.
Essa formação também se conecta à maneira como os dois dividem as atividades no empreendimento. Edgar está mais diretamente ligado à propriedade e à rotina da lavoura, enquanto Thielen se dedica à qualidade, ao pós-colheita, à gestão e à comunicação do trabalho.
Da formação ao empreendedorismo
A ideia de transformar a produção em um negócio próprio foi construída ao longo da trajetória dos dois. Durante a pandemia, participaram de eventos on-line sobre qualidade do café conilon e passaram a buscar mais conhecimento sobre formas de produzir cafés com maior qualidade e valor agregado.
Em 2021, uma visita a estruturas de pós-colheita voltadas para pequenos produtores também ajudou a ampliar essa visão. A experiência mostrou possibilidades que poderiam ser adaptadas à realidade da família. Além da graduação, palestras, dias de campo, workshops e outras capacitações contribuíram para esse processo.
A história de Edgar e Thielen com o Grão de Ana reforça como diferentes conhecimentos podem se complementar dentro da agricultura familiar. A experiência construída pela família no campo se soma à formação técnica em Agronomia e à visão empreendedora desenvolvida ao longo dessa trajetória.

“O principal aprendizado é que uma coisa fortalece a outra. A agricultura familiar nos dá a nossa história, o vínculo com a terra e a experiência que vem da vivência. A formação em Agronomia nos trouxe conhecimento técnico e uma maneira mais criteriosa de enxergar a produção. E o empreendedorismo nos ensinou a transformar esse conhecimento e essa história em oportunidades”, afirma a egressa.

