Por que o futebol nos afeta tanto?

Por que o futebol nos afeta tanto?

Eu poderia começar esse texto falando sobre meu livro “Estudos em Psicologia do Esporte”. Não é que eu não farei isso, mas esse texto que escrevo tem um contexto diferente: a Copa do Mundo de Futebol. E estou escrevendo em um momento mais especifico ainda, após eliminação (frustrante) do Brasil para a Noruega ainda nas oitavas de final.

Portanto, antes de escrever como autor de um livro sobre Psicologia do Esporte, vou redigir esse texto como torcedor de futebol. E, nesse momento de sentimentos aflorados dos mais diversos, desde a tristeza até a raiva, após a eliminação eu mandei uma mensagem para um amigo com a seguinte pergunta: “Por que um time com 11 jogadores que eu nunca vi tem a capacidade de me deixar com tanta raiva?”.

Se você torceu de alguma forma pela Seleção na Copa ou torce por algum time de futebol, eu tenho certeza que você já se pegou pensando assim ou se sentindo de uma forma muito desconfortável após uma derrota marcante. Acho até que já se questionou, como eu, do porquê a gente se “afeta” tanto por “apenas” ser torcedor.

Essa pergunta me inquietou por muito tempo, desde criança. Minha primeira memória de emoções afloradas no futebol foi da Copa de 94 quando, na final contra a Itália, o Brasil começou errando um dos pênaltis, mas no final acabou campeão. Aquele misto de sensações, indo da frustação desnorteante até a felicidade máxima com o Brasil campeão se repetiu em 98 com o vice contra a França como uma real angústia (parecia que o mundo tinha acabado, mas tinha apenas 15 anos) e com o último título em 2002 com uma nova felicidade indescritível.

Isso se repete comigo (e acho que com você também) na minha relação com meu time, o Cruzeiro (já até imagino o que alguns estão pensando com essa informação como “3 vezes na série B”, “nossa ele mora no ES, mas torce para um time de MG?”) pois, me pego várias vezes vendo esse meu time fazendo meu dia ou até minha semana bem melhor ou muito pior. Lembro-me que, em 2009, quando perdemos a final da Libertadores em pleno Mineirão, ficamos na minha casa uma semana de “greve” de televisão e de programas esportivos, tamanho o nosso fanatismo como torcedores (eu, meu irmão, minha irmã e meus pais).

Por isso essa pergunta sempre “me perseguiu”: por que nos tornamos torcedores de futebol? Aqui começa a parte que já estou falando como autor e pesquisador em Psicologia do Esporte. Levei essa dúvida para o mestrado como problema de pesquisa e tentei descobrir, de forma científica, como respondê-la. Descobri alguns estudos com hipóteses do que podia influenciar o motivo pelo qual alguém se torna torcedor de futebol como influência da família, meio social e mídia, mas obtive como resposta científica quatro motivos que explico detalhadamente na parte 2 do meu livro (vou deixar você curioso para ler, sim!).

Além do futebol apresento estudos sobre a subáreas da Psicologia do Esporte e que descrevem aspectos psicossociais no esporte como violência entre torcidas de futebol, motivos pelo qual alguém pratica atividade física como musculação (estudos meus no mestrado) e prática de alto rendimento no futebol e formas de melhoria de performance por meio de intervenções psicológicas (estudos meus no doutorado), mostrando a importância do psicólogo nos esportes de forma geral e, especificamente, no futebol.

Esses estudos contrastam com o descaso, ao longo dos últimos anos, com a função do psicólogo na seleção brasileira, mas (pasmem), na primeira copa que o Brasil ganhou, em 1958, havia um psicólogo trabalhando com a seleção brasileira e existem artigos em Psicologia do Esporte que apontam sua contribuição na primeira conquista do Brasil em copas do mundo.

Portanto, como doutor em Psicologia Social e como psicólogo do esporte afirmo que você, curioso e amante do futebol e esportes em geral, ou psicólogo que tem interesse em trabalhar e pesquisar nessa área, o livro “Estudos em Psicologia do Esporte” irá ser muito interessante para responder muitas questões. Você irá conseguir ter um panorama da área e se surpreender o tanto de possibilidade de expansão dessa atuação, além do benefício psicológico que esta pode trazer para o esporte em geral. Sobre deixar de “sofrer” com a derrota como a do Brasil contra a Noruega, já te aviso: você vai também entender o porquê desse misto de sentimentos que o ajudará na compreensão da necessidade do psicólogo no esporte e na vida em geral (capítulo 7). Já havia uma psicóloga na Seleção nessa Copa, sabia? E deu errado, então? Calma, que o trabalho vai render frutos. Anotem.

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