Após seis meses de estudos, oficinas participativas e desenvolvimento técnico, a FAESA entrega oficialmente à Prefeitura de Vitória e à comunidade os resultados do projeto “Raízes do Galpão: História, Cultura e Reabilitação Urbana”, iniciativa que integra ensino, pesquisa, extensão e inovação. Desenvolvido pelo curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário em parceria com a Prefeitura de Vitória, o estudo preliminar reúne propostas para a revitalização do Galpão das Paneleiras de Goiabeiras, com soluções voltadas à valorização da cultura capixaba, à melhoria das condições de trabalho das artesãs e ao fortalecimento do turismo na região.
A entrega pública aconteceu nesta terça-feira (7), data em que é celebrado o Dia das Paneleiras, em evento que reuniu representantes da FAESA, como a pró-reitora Carla Letícia Alvarenga Leite, da Prefeitura de Vitória, da Associação das Paneleiras e da comunidade, no Galpão das Paneleiras, em Goiabeiras. O estudo servirá como base técnica para as próximas etapas do projeto arquitetônico, que deverá subsidiar uma futura execução das intervenções propostas.
O projeto mobilizou uma equipe multidisciplinar do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAESA. A proposta foi elaborada pela equipe composta por Viviane Pimentel, coordenadora do projeto, e os alunos extensionistas Davi Zonzini, Laura Dadalto e Ash Lenzi. Também atuaram como colaboradores os professores Anderson Woelffel, André Ferreira, Caroline Vallandro, Lorenzo Lube, Marcelo Fiorotti e Ricardo Maioli, e os alunos Amanda Prado, Alana Mafioletti, Daniella Brigatto e João Lucas Langamer.

Primeiro bem reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial brasileiro, o ofício das paneleiras representa um dos maiores símbolos da identidade capixaba. Ao longo do projeto, a equipe da FAESA desenvolveu oficinas participativas e manteve diálogo permanente com as artesãs para construir um estudo que preservasse a identidade do espaço, respeitando sua história e respondendo às necessidades apontadas por quem vivencia diariamente essa tradição.
As propostas contemplam melhorias que impactam diretamente a rotina das paneleiras, como a cobertura das áreas externas de trabalho, protegendo o processo produtivo das condições climáticas e proporcionando mais conforto às artesãs, além da reorganização dos espaços de produção, ampliação do número de boxes, criação de ambientes de apoio, como copa e vestiário, em conjunto com outras adequações que proporcionam mais conforto, segurança e funcionalidade.
Ao mesmo tempo, o estudo propõe intervenções voltadas ao fortalecimento do turismo e à melhoria da experiência dos visitantes, incluindo novos espaços de contemplação do manguezal e do processo de fabricação das panelas, como a cobertura do varandão do mezanino, a requalificação do ancoradouro utilizado pelo turismo náutico e a implantação de uma passarela de madeira às margens do mangue, conectando o local ao ponto de desembarque dos ônibus de turismo e criando um percurso de imersão na paisagem e na cultura local.

Para a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAESA e coordenadora do projeto, Viviane Pimentel, o principal diferencial do trabalho foi a construção coletiva das soluções. “Desde o início, nosso compromisso foi desenvolver um projeto que traduzisse as necessidades das próprias paneleiras. Todas as propostas nasceram da escuta da comunidade e buscaram conciliar preservação do patrimônio, melhoria das condições de trabalho e fortalecimento da experiência dos visitantes. Também tivemos a preocupação de preservar ao máximo a estrutura existente, tornando uma futura execução mais viável técnica e economicamente.”

O reitor da FAESA, Alexandre Nunes Theodoro, destaca que o projeto reafirma o compromisso da instituição em promover o desenvolvimento social por meio do conhecimento. “Parabenizo a professora Viviane Pimentel pela liderança deste projeto, professores e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo pela dedicação, competência e sensibilidade demonstradas ao longo de todo o trabalho. O projeto ‘Raízes do Galpão’ demonstra como ensino, pesquisa, extensão e inovação podem caminhar juntos para produzir conhecimento com impacto social, preservando a cultura, fortalecendo o desenvolvimento sustentável e gerando benefícios concretos para a comunidade. É uma contribuição construída com rigor técnico, diálogo e respeito à história das paneleiras, que traduz a missão da FAESA de promover o desenvolvimento social por meio do conhecimento.”
Cris Samorini, prefeita de Vitória, comemorou a entrega. “Quero parabenizar a FAESA por este trabalho, que demonstra como o conhecimento, a inovação e o diálogo podem contribuir para preservar a nossa história e melhorar a vida das pessoas. Este projeto valoriza um dos maiores patrimônios culturais do Espírito Santo e, acima de tudo, respeita quem mantém essa tradição viva: as nossas paneleiras. A Prefeitura de Vitória recebe este estudo com entusiasmo e compromisso, porque ele aponta caminhos para fortalecer as condições de trabalho das artesãs, impulsionar o turismo e preservar a identidade de Goiabeiras. Cuidar das paneleiras é cuidar da nossa cultura, da nossa memória e do futuro da nossa cidade.”, disse.

Para a presidente da Associação das Paneleiras, Berenice Corrêa Nascimento, a entrega representa um importante primeiro passo para o futuro das Paneleiras. “Estamos muito felizes com a apresentação do projeto e as propostas criadas pela FAESA. Desde o início dos trabalhos, sentimos que nossas demandas foram ouvidas com atenção e o resultado é maravilhoso. Agora que o primeiro passo foi dado, nossa expectativa é ver a transformação na prática para que o Galpão das Paneleiras possa ganhar uma nova cara e fortalecer ainda mais o nosso ofício e o turismo local.”