Uso de Inteligência Artificial: tempo é cérebro

Uso de Inteligência Artificial: tempo é cérebro

Esse artigo não foi escrito com recursos de Inteligência Artificial (IA), mas foi utilizado um processador de texto. Ainda bem! Nunca fiz curso de datilografia e se fosse escrever à mão precisaria enviar por fax ou ir até os Correios para postar uma carta.

Disse para quem me solicitou esse material, que se fosse usada a IA entregaria mais rápido, mas no mundo real constatamos justamente o contrário: as pessoas deixando para cumprir os prazos no último minuto, pois sempre pode-se recorrer a uma IA salvadora.

O tempo é sempre decisivo nas nossas vidas e, em casos de doenças, parece que tudo passa mais rápido, sobretudo se estamos diante de uma situação grave que precisamos buscar ajuda de um profissional de saúde.

Esse é o ponto chave dos recursos tecnológicos: ganhar tempo. O fato de agilizar atendimentos pode salvar mais vidas e pela rapidez evitar sequelas. Em situações de urgência e emergência cada segundo precioso que é perdido pode ser fatal.

E nos atendimentos de consultório? Evidente que também economizaremos tempo, para citar um exemplo mais simples e já em uso: um equipamento que grava o que os pacientes falam e transfere em formato de texto para um prontuário eletrônico usando algum recurso de IA.

Sem dúvida um grande avanço, mas o que será feito com esses preciosos minutos economizados? Serão usados para melhorar o atendimento proporcionando mais atenção aos pacientes? Ou corre-se o risco de se criar um sistema de informação para ocupar os minutos poupados?

O uso de tela por um profissional de saúde que atende em consultório pode consumir até 60% do tempo das consultas, ou seja, é mais tempo olhando para um computador do que para o paciente. Os profissionais de saúde não criam esses sistemas, mas os alimentam e sabem que têm uma fome incontrolável por dados, proporcional à necessidade das pessoas por atenção quando estão num serviço de saúde.

É pouco provável que o leitor vá questionar a evolução proporcionada pela tecnologia (inclusive a IA) no seu atendimento. Também é quase certo que vá ficar incomodado com alguém, de quem espera atenção total, pois está sofrendo, que não consegue olhar em seus olhos.

Isso fica mais dramático em casos em que é preciso dar más notícias, que são inevitáveis em nossas vidas. Como é importante um olhar sincero de solidariedade ou um simples toque no ombro como manifestação de conforto. Quem passou por momentos de dor sabe o que esses gestos significam.

A tecnologia vai impulsionar ainda mais os serviços de saúde, tornando diagnósticos mais precisos e registros mais eficientes. Vamos ganhar tempo! Mas a questão central é: o que faremos com cada minuto conquistado? Essa é uma escolha que precisa ser construída de forma coletiva, como sociedade.

Por Marcello Dala Bernardina Dalla, médico, doutor em Pediatria e Saúde da Criança, e professor do curso de Medicina da FAESA

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