A moda capixaba ganha novos contornos a partir da criatividade e da pesquisa desenvolvidas por estudantes da FAESA. Com projetos que abordam temas como ancestralidade, cultura pop, saúde mental e identidade, os futuros designers transformam questões sociais, culturais e emocionais em coleções autorais que revelam a força da produção local. Os trabalhos estarão na passarela do ES Fashion, um dos principais eventos da cadeia produtiva da moda no Espírito Santo, reforçando o papel da formação acadêmica na renovação do setor.
A FAESA participa, pelo segundo ano consecutivo, do desfile de abertura do evento, que acontece nesta quinta-feira (30), às 20h30, na Praça do Papa, em Vitória. No ano em que celebra os 25 anos do curso de Design de Moda, o único do Espírito Santo, a instituição apresentará mais de 40 criações desenvolvidas por estudantes e formandos, evidenciando a criatividade, a pesquisa e a inovação construídas ao longo da graduação.
Para o coordenador e professor do curso Design de Moda da FAESA, Edu Cozendey, o desfile representa uma oportunidade de mostrar como a formação acadêmica se traduz em projetos com identidade e potencial para o mercado. “Celebrar os 25 anos do curso de Design de Moda da FAESA no ES Fashion é reafirmar nosso compromisso com a formação de profissionais preparados para transformar o mercado. Levar as coleções dos estudantes para um dos principais eventos da moda capixaba demonstra a força da pesquisa, da criatividade e da inovação desenvolvidas ao longo da graduação, além de dar visibilidade aos novos talentos que ajudarão a construir o futuro do setor”, afirma.
Entre os destaques está Do Terreiro à Rua, coleção criada por Thays Assis Almeida, que transforma a riqueza simbólica das religiões de matriz africana em moda urbana contemporânea. Inspiradas nos orixás Exu, Ogum, Ossaim, Oxum, Logun Edé e Yewá, as peças reinterpretam elementos culturais e espirituais em modelagens amplas, tecidos naturais e uma cartela de cores que dialoga com a ancestralidade afro-brasileira. A proposta utiliza a moda como ferramenta de afirmação identitária, representatividade e valorização da diversidade cultural.
Outro projeto que integra o desfile é Ghouls Alive, desenvolvido por Steicy Alves Dellabianca. Inspirada no universo de Monster High, a coleção aproxima moda, cultura pop e nostalgia ao explorar o cosplay como forma de expressão criativa e identitária. Com figurinos produzidos por meio de técnicas artesanais, como pintura manual e bordado, o trabalho valoriza a personalização, o fazer manual e a conexão afetiva entre fãs e personagens, traduzindo o universo geek para uma proposta autoral de design de moda.

Já Gabriela Alves, que assina a coleção Entrelace: O Corpo como Tela Viva, aproxima moda, arte e saúde mental ao utilizar o crochê e a pintura manual como elementos centrais do processo criativo. Inspirado nos desafios da ansiedade contemporânea, o projeto propõe uma moda sensorial, que valoriza o fazer artesanal, o autocuidado e a expressão das emoções por meio do vestuário.

Para a professora do curso de Design de Moda da FAESA e orientadora dos projetos, Marielle Vasconcellos, as coleções revelam uma geração de profissionais preparada para compreender a moda como ferramenta de transformação. “Cada projeto nasce de uma investigação profunda sobre questões contemporâneas e demonstra como o design pode dialogar com diferentes aspectos da sociedade. É muito gratificante ver esses estudantes apresentando coleções autorais em um evento como o ES Fashion, porque isso evidencia não apenas a criatividade, mas também a capacidade técnica, crítica e inovadora dos novos talentos da moda capixaba.”