Os riscos da falta de planejamento financeiro

Os riscos da falta de planejamento financeiro

Vivemos em uma época de incertezas econômicas, onde planejar as finanças pessoais deixou de ser uma escolha para se tornar uma necessidade urgente. Ainda assim, muitos brasileiros ignoram essa realidade, e as consequências podem ser graves. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), em 2024, cerca de 78% das famílias estavam endividadas.

Quando não há controle sobre ganhos e despesas, o cartão de crédito e o cheque especial viram uma extensão do salário. Com juros que ultrapassam 400% ao ano, o descontrole rapidamente se transforma em uma bola de neve, comprometendo o pagamento de itens essenciais como alimentação, educação e saúde.

Além das dificuldades financeiras, o impacto emocional também é significativo. O estresse causado pelas dívidas pode levar à ansiedade, insônia e até depressão. Esse tipo de pressão interfere nas relações pessoais, já que os conflitos relacionados a dinheiro estão entre as principais causas de separação conjugal.

Uma pesquisa da Serasa mostra que mais de 71 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o que representa quase 45% da população adulta. A maior parte dessas dívidas está relacionada a serviços básicos, como contas de água, luz e telefone, além de crédito bancário. Esse dado evidencia a fragilidade financeira de muitas famílias e reforça a importância de criar uma reserva de emergência.

O problema vai além da questão econômica. Vivemos em uma sociedade que valoriza o consumo imediato, e oferecemos constantes estímulos a gastos sem planejamento. Muitas pessoas só percebem a gravidade da situação quando estão atoladas em dívidas, especialmente diante de imprevistos, como perda de emprego ou uma emergência médica.

O caminho para evitar esse cenário começa com a organização financeira. Planejar não significa abrir mão de tudo, mas sim entender o quanto se ganha, o quanto se gasta e definir prioridades. Uma boa prática é criar uma reserva de emergência de seis meses de custo de vida. Esse colchão financeiro pode ser a diferença entre passar uma crise com tranquilidade ou mergulhar sem individualização.

A educação financeira também é essencial. Saber como funcionam os juros, entender as diferenças entre crédito e investimento e aprender a poupar são habilidades que todos deveriam desenvolver desde cedo. Com o avanço da tecnologia, aplicativos de controle de despesas ajudam a monitorar gastos e definir metas de economia. Pequenas mudanças de hábito, como despesas de registro e evitar compras por impulso, podem ter grande impacto no orçamento.

A falta de planejamento financeiro não é apenas um risco; é uma porta aberta para o caos. Qualquer instabilidade pode trazer consequências devastadoras para quem não está preparado. Mas, com disciplina, é possível virar o jogo. Planejar as finanças não deve ser uma obrigação, mas uma oportunidade de construir uma vida mais segura e equilibrada.

Tomar o controle das administrações próprias é, acima de tudo, um ato de liberdade. Quem planeja, escolhe seu caminho. Quem não planeja, acaba sendo levado pelas situações.

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Por Felipe Dall’Orto é doutor em Estudos Culturais, mestre em Artes Cênicas e professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da FAESA

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