Projeto de Extensão “Virando a Página” recebe prêmio Sinepe em Ação

O prêmio visa valorizar iniciativas de responsabilidade social no meio acadêmico.


Publicado em: 4 de dezembro de 2018

Escolhido entre mais de 50 iniciativas, o projeto Virando a Página, desenvolvido por alunos da FAESA, em parceria com a Defensoria Pública Estadual, acaba de ser premiado pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino Superior do Espírito Santo (Sinepe-ES), com o Prêmio Sinepe em Ação, por promover a transformação social por meio da leitura com turmas de detentos, dentro do sistema prisional capixaba.

Há cerca de um ano, um grupo de alunos dos cursos de Pedagogia, Comunicação Social e Ciências Biológicas vai aos presídios desenvolver a leitura como atividade complementar. Os detentos participantes são incentivados a ler livros e produzir resenhas que podem render a remição de pena de quatro dias por livro lido, tendo como limite a remissão correspondente a 12 livros por ano.

O projeto “Virando a Página” foi idealizado pela coordenadora do Núcleo de Execução Penal e Defensora Pública Roberta Ferraz, e tem a FAESA como única parceira no Espírito Santo para a sua realização.

Para Roberta, o primeiro lugar na premiação é muito importante, visto que a iniciativa concorria com outros diversos projetos relevantes. “A premiação é de extrema importância, principalmente porque estávamos concorrendo com iniciativas que envolvem um número enorme de escolas particulares, faculdades, além de projetos na área sócio ambiental e na área da educação, projetos de muita responsabilidade social”, relata Roberta Ferraz.

“Em um estado como o nosso, que tem um dos melhores índices de educação do país, ter um projeto como esse desenvolvido em parceria com a Defensoria Pública é de extrema importância, pensando nessa formação pedagógica. Proporcionar essas habilidades de leitura, escrita e interpretação para os detentos, e ir além, partindo de obras clássicas, é muito valioso” comenta a coordenadora da Unidade de Ensino, Elimar Ponzo, sobre a importância do projeto.

Sobre o Projeto

O projeto Virando a Página visa a remição de pena por meio da implantação e do estímulo da leitura, e é uma realização do Núcleo de Execuções Penais (NEPE) da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (DPES), em parceria com a FAESA Centro Universitário.

Na prática, os encarcerados que têm interesse em participar do projeto e possuem o Ensino Fundamental, devem elaborar um resumo do livro escolhido, enquanto aqueles que cursaram o Ensino Médio ou Superior elaboram uma resenha.

Os textos produzidos são avaliados por uma equipe voluntária com conhecimentos técnicos na área de educação – professores e alunos do curso de Pedagogia – sendo necessário que o preso obtenha o mínimo de 60% na avaliação profissional. A fim de subsidiar essa avaliação, são considerados o grau de instrução e as possibilidades de cada indivíduo, de acordo com o projeto.

Para cada relatório ou resenha, com grau de aproveitamento suficiente, o preso recebe quatro dias de remição. São até 12 obras por ano, o que pode ensejar 48 dias de remição.  A primeira turma já contemplou 16 apenados no projeto piloto.

O professor de Pedagogia e coordenador do Virando a Página, Antônio Alves de Almeida, explica que “os benefícios [do projeto] são plurais. Não só eu, mas também os extensionistas, crescemos muito como pessoas. Eles se tornam mais sensíveis para as questões sociais, diminuem o preconceito, melhoram a metodologia deles na área da comunicação, na área pedagógica, na didática. Saem com mais traquejo, com uma formação acadêmica muito mais completa”. Para os internos que participam do projeto o crescimento também é grande, como comenta a aluna extensionista Mayara da Silva Borba, que faz parte da iniciativa desde seu surgimento. “Precisamos de mais projetos como esse para que a pessoa tenha interesse em mudar seu pensamento lá dentro, rever o que fez, e conseguir voltar para a sociedade como um ser humano melhor. Se redimir de todas as coisas que fez e querer mudar, de alguma forma, querer crescer intelectualmente. Virar a página, como o nome já diz.”


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