Jornada Científica FAESA mergulha na temática do empreendedorismo

A coragem para empreender e inovar, de forma sustentável e com propósitos claros, deu o tom ao evento de abertura, com palestrantes indicando que sucesso deve estar atrelado à solidariedade, empatia e amor ao próximo.


Publicado em: 19 de setembro de 2018

A FAESA, durante os dias 17 e 21 de setembro, realiza a 17ª Jornada Científica e Cultural. Neste ano, a temática central é a de “Empreendedorismo e Inovação“, assunto que será abordado ao longo dos 240 eventos que ocorrerão na instituição ao longo da semana. Para dar início à programação, foi organizada uma mesa redonda que contou com a presença de profissionais de destaque nas áreas de Administração e Publicidade e Propaganda, além da mediação e da apresentação de profissionais da faculdade.

A palavra de abertura da solenidade oficial foi do Diretor de Desenvolvimento Institucional Erthelvio Monteiro Nunes Júnior, que comentou da necessidade de preparar os alunos para desempenhar papeis importantes na sociedade, exercendo funções ativas para solução dos dilemas modernos. Ainda completou o discurso inaugural acrescentando que empreender e inovar são características intrínsecas ao DNA da FAESA, desde meados da década de 1970.

A primeira palestra foi então da publicitária Flávia da Veiga, responsável pela abordagem do que concerne ao “Futuro das Marcas”. A especialista tratou das mudanças na comunicação e no perfil do consumidor, apontando benefícios e desafios. Alguns dos fatos apontados foram a busca pela conexão ao celular a todo momento e, por outro lado, a dispersão aos fatores externos da vida, como com as relações humanas e com o meio ambiente.

Para enfrentar o momento atual da melhor forma possível, a palestrante criou o método dos 7 “C”, representados pelas palavras-chave: “conexão”, “causa”, “coragem”, “criatividade”, “consciência”, “coração” e “cura”. Este caminho foi idealizado visando a maior humanização das empresas e marcas, com vistas a deixarem um legado social, fazendo o bem, gerando empatia, apoiando causas e também trazendo resultados responsáveis e lucrativos.

Para ilustrar sua fala, Flávia apresentou três comerciais impactantes de marcas que passaram a agir com foco no significado a ser transmitido para os consumidores: a corajosa propaganda da cerveja mexicana Tecate, que tratou da violência doméstica; o emocionante comercial desenvolvido pela Nike, que versa sobre “sonhos loucos” que devem ser levados adiante; e, por último, o da Unilever, que busca trazer um olhar de esperança para o mundo que esta geração deixará para seus filhos.

Já a segunda palestra da noite foi ministrada pelo administrador Marcelo Lage, que abordou “O papel da Inovação na Construção do Futuro”. Partindo do pressuposto de que ninguém tem exata ciência do que ocorrerá no futuro, a apresentação iniciou conduzindo o espectador no sentido de que este é detentor da oportunidade de construir ativamente o que está por vir.

Marcelo também provocou questionamentos ao modelo de ensino atual, em que os indivíduos são destinados a reproduzir comportamentos padrão, sem que se aventurem a fazer algo realmente inovador. Por outro lado, o mercado de trabalho começa a buscar gente que “pense fora da caixa”. Neste sentido, o importante seria então que cada um dos atores sociais acreditassem em sua criatividade para moldar a realidade, acreditando que os sonhos são possíveis e que é preciso perseverar, já que “nada do que vale à pena foi construído da noite para o dia”.

Assim, com discursos complementares apresentados por ambos os palestrantes, e após esclarecimentos prestados, a plateia otimista, composta por alunos e professores da FAESA, deixou o auditório com a sensação de querer fazer a diferença e de buscar trabalhar em prol da construção de um mundo melhor, com coragem para empreender e inovar, de forma sustentável e com propósitos claros, percebendo o ser humano como único e plural ao mesmo tempo.

 

Bate-papo com Flávia da Veiga

Presidente da Criativa Comunicação Integrada cria método que une felicidade a resultados eficientes

– Flávia, de que forma se apresenta o perfil do consumidor atual?

Estamos vivendo um momento de muitos desafios, principalmente com a tecnologia. Isso se projeta por exemplo no comportamento do consumidor, que está cada vez mais distante e disperso, ficando cada vez mais difícil atingir. Mas existem outras coisas acontecendo no consumo, como a saída de uma geração pautada no ter para uma geração focada no ser.

– Poderia nos contar quais são os 7Cs de sua metodologia?

A proposta que eu trago é uma metodologia que além de trazer mais lucro, ajuda a aumentar o nível de felicidade e a construir um mundo melhor. Os Cs representam: conexão, causa, coragem, criatividade, consciência, coração e cura.

– Poderia nos contar a respeito do que consiste cada uma das palavras-chave?

Claro. Conexão é a necessidade da gente entender que falamos com o ser humano, e que para isso precisamos desenvolver 3 aspectos: colocar o indivíduo no centro; ter empatia, para entender o que o outro passa; ter emoção. Em relação ao segundo aspecto, que é causa, devemos olhar em volta em vez de olhar somente para dentro da empresa, por exemplo para ajudar a combater estereótipos. Dentro da causa a gente entra em propósito, ou seja, quando temos uma causa aliada ao propósito, isso ganha muito mais consistência. E o propósito é pensar porque estamos aqui, porque essa empresa existe, o que defendemos, qual a razão de existência da empresa que vai além de gerar lucro. Coragem: diante de um mundo cada vez mais disperso, com nível de atenção muito baixo, precisamos de muita coragem para conseguir sobressair. Criatividade: é a base de toda e qualquer campanha. Campanhas mais criativas dão mais resultado. Consciência: entender o nosso papel fundamental, de que nós somos a última geração que vai salvar o planeta. Coração: trazer afetividade e amor aos negócios. Cura: a propaganda deve tocar além da mente e do coração, ela deve atingir a alma.

– Para concluir, qual é o caminho certo para o futuro das marcas?

O caminho do bem é bom para os negócios. Estudos demonstram que as pessoas não ligariam se 74% das empresas deixassem de existir. 90% das pessoas boicotariam uma marca se soubessem que ela pratica negócios insustentáveis. As pessoas querem se relacionar com marcas que façam o bem. O que mais traz felicidade para o ser humano é fazer algo pelo próximo, ter um propósito e um significado. Existe uma lei do equilíbrio entre o dar e o receber, quanto mais a gente faz mais a gente recebe. A ideia é provocar a reflexão de que tipo de legado queremos deixar com as nossas campanhas.

 

Bate papo com Marcelo Lage

Fundador da Startify, escola de Empreendedorismo e Inovação, levanta questionamentos acerca da incerteza sobre o futuro

– O que podemos esperar para o futuro?

Não fazemos ideia de como será o futuro. A quantidade de coisas e mudanças que vêm acontecendo e como vão interagir umas com as outras para construir novas leva à conclusão de que não sabemos qual será o resultado disso tudo.

– Estamos preparados para lidar com as mudanças que virão?

Os problemas que vivenciamos hoje impactam diretamente nossa capacidade de construir habilidades que vão ajudar a resolver os problemas que o futuro nos reserva. Então vivemos em um ambiente de transformação, de conceitos como sociedade líquida, de volatilidade, incertezas, complexidades e ambiguidades. Ao mesmo tempo enxergamos que as nossas organizações e sistemas não estão adequados para nos preparar para trabalhar no futuro. Estamos presos em um contexto em que não desenvolvemos as habilidades para lidar com o mundo que será construído lá na frente.

– Qual o caminho a seguir então?

Devemos focar no que podemos fazer diante dessa desconexão entre o mundo de hoje e o mundo do futuro. O que podemos fazer individualmente para tentar superar esses desafios e de fato participar da construção do futuro de forma integral, efetiva e que possamos pensar num futuro melhor, construindo desde já.