FAESA forma a primeira arquiteta surda do Espírito Santo

Com a graduação concluída, Letícia Seidel já pensa nos próximos desafios.


Publicado em: 17 de julho de 2018

O Espírito Santo acaba de formar a primeira arquiteta surda do Estado. Letícia Seidel, de 26 anos, concluiu a graduação em Arquitetura pela FAESA no final de junho, ao apresentar o trabalho de conclusão de curso, e se tornou a primeira deficiente auditiva a se formar em Arquitetura em uma faculdade capixaba.

O caminho percorrido por Letícia foi longo e sempre cheio de desafios desde o início da vida. Moradora de Cariacica, onde passou a maior parte da infância, encontrou dificuldades na educação básica e levou um pouco mais de tempo para concluir a graduação, mas agora tem o orgulho de poder dizer que é uma arquiteta formada.

“No início eu não tinha toda a estrutura que tenho hoje, então foi um pouco mais difícil. Aos poucos as coisas foram melhorando e me senti mais incluída. Foi um processo para todos, de entender como funcionava o universo surdo”, relata Letícia. Na faculdade, ela contava com o apoio de uma intérprete em todas as atividades acadêmicas de que participava, desde as aulas regulares até visitas técnicas e trabalhos em grupo.

A supervisora do Núcleo Pedagógico da FAESA, Cláudia Freitas, responsável pelo acompanhamento dos alunos com necessidades especiais, explica que a inclusão de um aluno com necessidades especiais como a Letícia, por exemplo, que é surda, vai muito além da presença de um intérprete. “O Núcleo Pedagógico atua identificando as necessidades desse aluno e disponibilizando todo o suporte necessário. No caso da Letícia, identificamos que ela não era fluente em libras e tinha dificuldades em português, o que precisou ser trabalhado”, lembra Freitas.

Um exemplo de atividade voltada para a inclusão da aluna foi uma aula diferente sobre conforto relacionado à acústica do som.  Sabendo da deficiência da Letícia, o professor buscou o núcleo pedagógico para planejar uma aula diferente. O resultado foi a inserção do violino na atividade, para que todos os alunos, e principalmente Letícia, pudessem sentir a vibração do instrumento e amostras do som em diferentes ambientes arquitetônicos.

“Muitos poderiam pensar que ela não precisaria participar de uma aula sobre som, já que é uma deficiente auditiva. Mas nosso objetivo é que o aluno com necessidades especiais esteja inserido em todas as atividades, incluído como parte da turma. Essa aula foi pensada para que todos os alunos participassem da mesma forma da atividade, sem distinção”, destaca a supervisora do núcleo pedagógico.

Agora, com a graduação concluída, Letícia já pensa no próximo desafio: o mercado de trabalho. “Sei que é muito complicado, pois não há acessibilidade na maioria das empresas, mas quero tentar outras formas de me comunicar e me inserir. Penso em trabalhar com paisagismo e ainda fazer Engenharia Civil na FAESA”, planeja.

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Texto: Aline Mantovaneli/ Alfa Comunicação


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