Março marcado por palestras e ação de empoderamento feminino na FAESA Cariacica

Cinco profissionais inspiraram nossas alunas com suas histórias sobre empreendedorismo, sucesso e ascensão profissional.


Publicado em: 8 de abril de 2019

Março foi marcado pelas comemorações do Dia da Mulher (8). Trata-se de uma celebração de conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, sendo adotado pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países, entre eles o Brasil.

Para marcar a data, A FAESA Cariacica realizou algumas atividades destinadas às mulheres do campus. No dia 11 de março promoveu um bate-papo entre as estudantes e cinco mulheres que inspiram e que compartilharam um pouco de suas experiências e de suas histórias pessoais e profissionais, no evento “Mulheres Inspiradoras: Empreendedorismo, Sucesso nos Negócios e Ascensão Profissional”.

Relatos

  • A primeira a contar sua história foi a Tecnóloga em Gestão de Segurança Privada, Andreza Souza. Formada pela FAESA Campus Cariacica, de origem indígena, começou a trabalhar ainda adolescente, depois de se tornar mãe solteira. Sua garra e determinação a fizeram superar muitas adversidades e a almejar um futuro melhor.

“Dediquei boa parte da minha vida ao meu filho e quando ele já estava adolescente voltei a estudar. Decidi cuidar de mim. Conclui o Ensino Médio, fiz um curso de vigilante e estava trabalhando na área quando, em um curso de reciclagem, conheci o curso Superior de Segurança Privada. Foi uma oportunidade que caiu do céu, pois no meio do curso fiquei desempregada, a instituição me ajudou a preparar um bom currículo e com ele fui convidada para um processo seletivo e contratada. Hoje eu sou a única mulher que ocupa um cargo de liderança na área de segurança na rede de supermercados que trabalho. Agora almejo um cargo de gestão e para isso está faltando muito pouco”, relata Andreza.

  • O segundo relato é da Tecnólogo em Processos Gerenciais Hebe Souza. Ela tem uma história inspiradora de conquista de espaços que sempre foram ditos como masculinos, mas que ela provou que conhecimento, dedicação e sabedoria podem transformar qualquer coisa, até mesmo ambientes e mentalidades.  Hebe voltou a estudar com 45 anos, atualmente faz Pós-graduação em Qualidade e Certificações.

“Tenho 3 filhos, 2 netos e voltei a estudar com 45 anos, pois querer crescer não tem idade. Hoje sou orgulho para meus filhos, netos e pais. Nunca coloque os obstáculos à frente dos seus sonhos. Me casei muito cedo, parei de estudar, dei oportunidade para os meus filhos estudarem, mas chegou um momento que não dava mais para ficar estacionada. Com 32 anos fui trabalhar com meu ex-marido e quando o casamento acabou decidi voltar a estudar, decidi ocupar meu tempo com algo que me traria retorno. Voltei a estudar não pelo diploma, mas pelo conhecido e hoje estou mais envolvida na empresa. E algo que é motivo de muita alegria para mim é que hoje sou exemplo para muitas pessoas. Todas nós somos capazes. Não é porque somos mulheres que somos inferiores. Nós podemos fazer tudo que decidirmos fazer. Podemos ser o que quisermos”, conta Hebe.

  • Outra ex-aluna que veio compartilhar suas histórias é a Kéviny Souza Barbosa. Ainda no curso de Administração ela começou a estagiar, foi contratada, duas vezes promovida e depois deixou a empresa, onde estava muito bem colocada, para realizar um sonho: abrir seu próprio negócio.

“Nada vem de mão beijada, tudo depende de muito esforço, dedicação. Hoje sou uma pessoa realizada, tenho meu negócio. O que importa é fazer a nossa parte para realizar os sonhos. A partir do momento que a gente define, coloca no papel e corre atrás, dá certo. Tudo que aprendi na faculdade eu uso no meu negócio”, lembra Kéviny.

Ela contou que o que a fez correr atrás dos seus sonhos foi o não que recebeu do pai. “Quando quis fazer a faculdade pedi ajuda ao meu pai e ele, mesmo tempo condições, me disse não. E esse não foi meu combustível. Esse não, foi o meu sim. Se você sempre tiver alguém lutando por você, você não vai lutar. A partir do momento que depende só de você, as coisas fluem”, aconselha Kéviny.

  • O quarto momento inspirador foi com a administradora, jornalista e cerimonialista, Liandra Zanette. Ela que começou sua carreira como radialista, já coordenou campanha política, equipes de comunicação, mas decidiu deixar um cargo de secretária de comunicação e um emprego público para se tornar uma empreendedora na área que se descobriu apaixonada: os eventos.

Liandra contou que sempre teve uma vida confortável, mas que sempre desejou construir sua própria história e empreender era parte dessa construção. “Eu era a única na faculdade que tinha emprego, mas larguei para coordenar uma campanha política, esse foi meu primeiro ato empreendedor”.

Além da dica sobre a importância de ter uma rede de relacionamentos, a jornalista também falou que, para ser uma empreendedora ou uma profissional de sucesso, conhecer em que você é excelente e planejar são fundamentais. “Conheça em que você é excelente para saber em que investir na sua carreira, para trabalhar na área que você ama. Mas é preciso se planejar. Ser empreendedor não é fazer algo sem se planejar. Desde 2013 eu me sustento com o negócio em que sou boa, algo que faço bem. Não importa qual é a sua história, importa qual história você quer escrever. Todos os dias eu me pergunto: para onde eu vou? Espero que todas descubram o que vocês nasceram para fazer”.

  • A última inspiração foi a administradora e professora universitária Marcela Rocha Haase Uhlig, que há seis anos é a responsável pelo Instituto de Administração do Espírito Santo, órgão de planejamento e organização de eventos e treinamento do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES). Ela contou para as estudantes que teve muita dificuldade para voltar ao mercado depois de trabalhar na empresa familiar, casar e ter filhos.

“Fiz uma pós-graduação e foi assim que consegui me reinserir no mercado. Fui trabalhar em uma transportadora e me apaixonei pela área de RH. Hoje trabalho no Conselho, mas ainda tinha o desejo de dar aula. Conheci muitas pessoas e tive a oportunidade de fazer um mestrado e realizar o meu sonho: dar aula”, conta Marcela.

Linda Como Sou

Uma outra ação desenvolvida foi a instalação de molduras com frases de empoderamento nos espelhos dos banheiros femininos da FAESA, Campus Vitória e Cariacica. A atividade foi promovida pela FAESA e é parte do projeto empreendedor das alunas do MBA em Marketing e Inovação da Pós-FAESA, Andressa Mota, Layana Nogueira, Naytielle Correia, Raísa Dantas e Sthefania Rodrigues: o “Movimento Linda Como Sou”.

Idealizado com o objetivo de fomentar o empoderamento estético da mulher, ele pretende promover o engajamento das mulheres na busca pelo autoconhecimento e confiança, gerando a aceitação estética. O projeto é desenvolvido dentro da metodologia base do curso, o Design Thinking – modelo mental que busca a resolução de problemas complexos, por meio de uma abordagem centrada no componente humano e se apoia nos conceitos da área do design.

Mesmo com todos os direitos conquistados pelas mulheres, ainda hoje elas vivem em uma sociedade que cobra a adequação aos padrões de beleza pré-estabelecidos. Segundo pesquisas realizadas sobre o tema, 72% das mulheres sentem a pressão para serem bonitas. E 80% dizem que tem algo bonito, mas não enxergam a beleza nelas. O Brasil é o 2º país que mais faz cirurgia plástica e tem o 3º maior mercado de estética do mundo.

 “O ‘Linda Como Sou’ surgiu da leitura dos relatos de vários tipos de mulheres e pretende estimular a satisfação com a beleza real, independente de padrões impostos que causam dificuldade de aceitação da aparência, o que muitas vezes interfere no desenvolvimento pessoal e profissional. Não queremos ditar, ressaltar ou desconstruir padrões, mas fazer com que as mulheres se percebam. Queremos transformar dor e frustração em satisfação e alegria”, ressalta a jornalista Sthefania.

História

A luta das mulheres por melhores condições de vida e trabalho começou a partir do final do século XIX, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de 15 horas diárias, os baixos salários e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos que eram debatidos pelas manifestantes da época. Uma realidade que nos acompanha até hoje.

De acordo com registros históricos, o primeiro Dia da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos em maio de 1908, onde mais de 1.500 mulheres se uniram em prol da igualdade política e econômica no país.

Vários acontecimentos levaram à criação de um dia especial para as mulheres. Um deles foi o incêndio numa fábrica de camisas em Nova York, ocorrido em 25 de março de 1911, que mataria 146 pessoas, dessas quais 129 mulheres. Esse incêndio levou à criação do mito de uma suposta greve que teria ocorrido em 8 de março de 1857, em Nova York, que não aconteceu. A confusão foi causada por jornais alemães e franceses na década de 60.

No entanto, o 8 de março teve origem com as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, durante a Primeira Guerra Mundial (1917). A manifestação, que contou com mais de 90 mil russas, ficou conhecida como “Pão e Paz”, sendo este o marco oficial para a escolha do Dia Internacional da Mulher, data que somente foi oficializada em 1921.